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Igreja Católica acolhe casais em segunda união

 

 


Leila Gapy
leila.gapy@jcruzeiro.com.br

 

Pela primeira vez a Arquidiocese de Sorocaba realizará um Encontro de Casais de Segunda União Estável. Ao todo, 82 casais católicos, mas que estão na segunda união, participarão do evento que acontecerá no próximo dia 23 na paróquia São José, no Cerrado. A iniciativa é da Pastoral Familiar Arquidiocesana e segundo o padre João Alfredo Pires de Campos, assessor eclesiástico da pastoral na Arquidiocese, a intenção é acolher e orientar os casais cristãos que não são casados na Igreja (por já terem sido casados na primeira união) e/ou nem no civil, mas que têm união estável e formaram uma família.

 

O encontro, que já aconteceu em algumas paróquias sorocabanas, como a do Santuário São Judas Tadeu, no Central Parque, e em outras arquidioceses, como a de Jundiaí, acontece pela primeira vez na esfera arquidiocesana local com o objetivo de reorganizar o Setor de Casos Especiais Bom Pastor, ligado à Pastoral Familiar da Arquidiocese Sorocaba. Por isso, os casais participantes representam a maioria das 52 paróquias que compõem a área da arquidiocese - inseridas em Sorocaba e mais doze cidades da região. A intenção da pastoral é disseminar a proposta.

 

"Mas existe uma linha tênue neste assunto delicado. A Igreja não está aceitando ou liberando o divórcio, menos ainda fomentando a segunda união. O casamento religioso continua sendo um Sacramento. Porém, não podemos fechar as portas da Igreja para esses cristãos. Menos ainda ignorá-los, sendo que estão presentes na comunidade, de forma tímida, mas crescente. Então, uma forma de acolhe-los é também orientá-los, principalmente sobre a conduta dentro da Igreja", pontua o religioso.

 

A conduta mencionada pelo padre diz respeito, principalmente, ao fato de divorciados serem impedidos de participarem da Comunhão Eucarística (o pão e o vinho consagrados). O que quase sempre fomenta preconceitos dentro da comunidade e, por consequência, o afastamento do cristão/divorciado. "Existem restrições sim. No entanto, é possível viver em comunidade. E quanto mais informação, menos preconceitos existirão", aposta o padre.

 

"Eles podem comungar espiritualmente, por exemplo, como nos ensinou São Maximiliano Maria Kolbe", emenda João Alfredo mencionando o santo que instituiu a Eucaristia Espiritual durante a 2ª Guerra Mundial. Por conta disso, o Encontro de Casais de Segunda União Estável, então inspirado no Encontro de Casais com Cristo (ECC), sofreu adaptações e ainda está em transformação. Um exemplo é o tempo de retiro, que no original é de dois dias e meio (sexta, sábado e domingo), mas agora passou para apenas um dia (domingo).

 

"Ainda contamos com palestras que frisam o sentido da vida, a vida cristã, em comunidade e testemunhos. Mas também falamos das restrições da Igreja e dos direitos que esses casais têm", ressalta. Exemplo de direito, ele cita, é dos casais poderem recorrer à anulação do primeiro casamento religioso. "A Igreja determina que todo casamento religioso é um Sacramento e tem validade se for alicerçado em três pilares: a liberdade, a sinceridade e a fidelidade. Quando a união não foi, infelizmente, concebida desta forma, as partes podem recorrer ao Tribunal Eclesiástico, que tem a função de julgá-la e declará-la nula, se for caso", explica.

 

Mas independente da anulação, frisa o assessor eclesiástico, esses casais podem trabalhar na comunidade. Em pastorais como da Comunicação, do Menor, da Acolhida, já que a da Eucaristia há impedimento, a não ser que o primeiro matrimônio seja anulado. "Mas o mais importante de todo esse processo é o acolhimento. A Igreja mantém regras, mas não podemos julgar ninguém e temos de acolher todos", frisa o padre que já desenvolveu trabalho semelhante de reestruturação em Cerquilho, onde trabalhou por 13 anos.

 

"O acolhimento faz toda a diferença na vida do cristão. Ainda mais quando ele já passou por uma situação tão desagradável como uma separação. Essas pessoas chegam até nós (padres) machucadas, feridas. Têm de conviver com a própria tristeza. E quando por ventura, se unem a outra pessoa, às vezes têm de conviver com preconceitos sociais. E ainda sofrer com as restrições religiosas. Não é fácil. Mas é possível. E a informação e o acolhimento é que fazem a diferença", garante.

 

Neste sentido, o arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, destaca que esse processo de acolhimento das novas famílias foi iniciado com o beato papa João Paulo 2º, mas que tem ganhado força com a postura e proposta do papa Francisco. "Na minha família também existem divorciados e casais de segunda união. Não deveria ser assim, mas é a realidade. E infelizmente muitos divorciados ou casais de segunda união se sentem marginalizados dentro da sociedade", assume.

 

Mas para ele, o papel da Igreja vai além da teoria. "Eles não podem permanecer na periferia da existência humana. Não por falta de informação, acolhimento e compreensão da Igreja. Temos de acolher a todos. Esse é nosso papel".

 

 

Notícia publicada na edição de 07/02/14 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 001 do caderno Ela - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

É correto batizar um filho de pais casados só pelo civil?

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É correto batizar um filho de pais casados só pelo civil?O sacramento do Batismo foi negado a muitas crianças nesta situação. Conheça o que a Igreja pensa sobre isso

No último dia 12 de janeiro, o Papa Francisco batizou, entre outras crianças, o filho de um casal que tinha se casado apenas no civil. Diante das numerosas perguntas que nos chegaram, apresentamos aqui resposta, esclarecendo também se existe diferença entre um padrinho de Batismo e um de Confirmação.
 Precisamente quando recebemos esta pergunta, o Papa acabava de batizar essa criança. Daí que, evidentemente, a resposta é sim. No entanto, alguns esclarecimentos podem ser de grande utilidade.
 Já aconteceu algumas vezes – hoje em dia, felizmente, com menos frequência – que um pároco tenha negado o sacramento do Batismo quando os pais tinham contraído o casamento civil, mas não o canônico. A razão alegada é que, ao viver em desacordo com a fé, os pais não estariam capacitados para transmitir a fé ao filho. Mas neste argumento há dois erros.
 O primeiro é que viver em desacordo com a fé não significa não ter fé. Basta observar a vida para constatar isso. Mas também há uma razão teológica, neste sentido: o pecado mortal retira a graça e a caridade, mas não a fé, salvo que o pecado seja diretamente contra a fé – ou seja, que de uma forma ou outra se rejeite explicitamente a fé.
 O segundo erro é que, estritamente falando, não é imprescindível que os pais tenham fé para batizar seu filho licitamente. Os requisitos estão no cânon 868 do Código de Direito Canônico: o consentimento dos pais, pelo menos de um dos dois, ou de quem legitimamente os representa, e que haja esperança fundamentada de que a criança vai ser educada na religião católica.
 O mais sensato, levando em consideração o segundo requisito, é que o pároco garanta que se cumpra e vele especialmente por que se deem as suficientes garantias, dentro do possível. A principal delas é a escolha de padrinhos idôneos.
 O Código também indica os requisitos para assumir o compromisso dos padrinhos. São vários, mas o mais interessante aqui é que eles tenham uma vida congruente com a fé e com a missão que vão assumir (cânon 874, § 1, 3),
 Pode parecer surpreendente que se exija dos padrinhos mais do que se exige dos pais. Mas compreendemos melhor isso ao perceber que não podemos escolher os pais da criança, mas sim os padrinhos, o que mostra a conveniência desta disposição. Porque a prioridade é a formação da criança na fé.
 O Batismo, a recepção da primeira graça que torna a criança filha de Deus, é o melhor presente que ela pode receber; mas ela não pode ser batizada se não houver expectativas razoáveis de que receberá a necessária educação na fé. O próprio Código diz isso: "se tal esperança faltar totalmente, difira-se o Batismo, segundo as prescrições do direito particular, avisando-se os pais do motivo" (cânon 868,§ 1, 2).
 Esta formação na fé é tão importante? Sim. O Batismo de um adulto requer fé e contrição pelos seus pecados. Como um bebê não tem uso de razão, esta contrição não pode lhe ser exigida. Então, resta a fé, que também não pode ser exigida da criança, mas sim daqueles que a levam ao Batismo, porque se comprometem a colocar os meios necessários para que a semente da fé possa germinar quando ela tiver uso de razão. Sem isso, a graça de Deus seria desperdiçada.
 Os padrinhos devem ser pessoas idôneas para formar na fé, tanto pelos seus conhecimentos quanto pela sua vida. Esta é a exigência da lei da Igreja – e a lógica.
 Ainda que às vezes o papel dos padrinhos e a responsabilidade que eles assumem não sejam bem compreendidos, a verdade é que a sua missão se torna muito séria, de modo particular quando os pais não estão nas melhores condições para dar esta formação.
 Com relação aos padrinhos da Crisma/Confirmação, deles são exigidos os mesmos requisitos que os do Batismo. Evidentemente, sua importância real dependerá muito da idade de quem recebe a Confirmação.

Julio De la Vega Hazas

Pontifício Conselho divulga livro do papa sobre Família e Vida

Copyright da foto: L'Osservatorio Romano.

Copyright da foto: L’Osservatore Romano.

Na última quinta-feira, 10/out/2013, o Pontifício Conselho para a Família divulgou o livro do papa Francisco sobre a Família e a Vida, que foi publicado em espanhol e italiano.

Nele, podem ser encontrados 35 artigos que tratam sobre a cultura do diálogo e do encontro, a atenção ao outro, a acolhida e a família, que foram escritos entre 1999 e 2013. Há também outros assuntos.

Foi o padre Gianfrando Grieco, chefe do departamento do Pontifício Conselho que o apresentou. Disse: “Hoje, o papa Francisco fala como fazia antes o cardeal Bergoglio. Conceitos claros, imediatos e diretos, que sensibilizam corações, despertam as consciências adormecidas e interpelam as inteligências”.

Nesses escritos, o então cardeal Bergoglio lembra o Documento de Aparecida, resultado da Conferência realizada pelo CELAM em 2007, e coloca foco na dedicação às crianças e aos anciãos, para que nunca sejam marginalizados.

O livro foi editado pelo Pontifício Conselho para a Família com a colaboração do Instituto Matrimônio e Família da Universidade Católica de Buenos Aires, Argentina.

10º Encontro da Comissão Nacional da Pastoral Familiar - CNPF - Cuiabá/Mato Grosso

 

O Pe. João Alfredo, o casal arquidiocesano Jú e Sonia e o casal responsável pelo setor Situações Especiais da Pastoral Familiar de Sorocaba, participarão nos próximos dias 08,09 e 10 de novembro em Cuiabá/Mato Grosso, do 10º Encontro Nacional da Pastoral Familiar. Será uma oportunidade para conhecer a realidade de outras Dioceses e um aprendizado que, com certeza, irá trazer frutos para os trabalhos pastorais da Equipe.

Rogamos a Nossa Senhora que ilumine a cada participante deste encontro para que saiam fortalecidos e cada vez mais engajados na luta pelas famílias de nossa Arquidiocese...